Quem cala consente?

Dou por mim a imaginar um mundo sem filtros, em que todos dizíamos o que pensávamos. Seria um mundo impossível de viver, sem relacionamentos entre nós, apenas dor e o ressentimento a pairar por todo o lado.

Porque não conheço, realmente, quem só pense positivo. O ser humano é um ser insatisfeito por natureza, tem sempre algo a criticar, a maldizer e, normalmente, é sempre sobre a galinha da vizinha.

Dito isto, sou apologista do calar. Do calar para não despoletar discussão, do calar porque não ia acrescentar nada à coisa, do calar porque não vale realmente a pena gastar o latim. Mas onde está o limite? Eu pratico o calar muitas vezes e reparo que toda a gente o leva para o consentimento. E que ficam felizes. Os nascisistas adoram pessoas caladas, mais tempo para eles. O Sr Ventura, no outro dia, saiu-se com outra preciosidade de “se não responde é porque consente”. Ora, todos sabemos, que não é verdade. A maior parte das pessoas cala-se porque não quer chatice. è um tipo de cobardia, eu chamo-lhe sobrevivência.

Um casal que já não se ama, não se suporta até, mas tem de ficar junto por dinheiro, filhos, etc, o que aconteceria se não se calassem? Muito provavelmente, iriam separar-se. Um empregado abusado pelas suas chefias? Provavelmente seria despedido. Eu acho piada às pessoas que dizem em alto e bom som “Eu digo sempre aquilo que penso”. Não diz não, se disesse, já andava nas ruas da amargura sem amigos, clientes, trabalho, e sei lá mais o quê.

Isto para dizer, que nos tempos que correm, muita gente deveria seguir a estratégia do estar calado. Este populismo crescente no panorama político, em que cada um diz o que quer sem penalização, é perigoso. Porque já não se segue o ditado antigo “Quem diz o que quer, ouve o que não quer”. Já nem ouvímos o outro, o som da nossa voz tornou-se mais importante, a nossa imagem vale tudo. Uma voz medíocre numa mente medíocre, comanda o mundo, por que nos calámos. E contra mim falo….

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